domingo, 26 de maio de 2024

Os que somam

 Quantos sonhos se perderam


Quantos deles se realizaram


Quantas vidas permaneceram


Quantas delas pereceram


Quantos homens voltaram atrás 


Quantos deles provaram a paz


Quantos escravos foram livres 


Quantos deles seguiram iguais


Quantos filósofos entenderam


Quantos deles se arrependeram


Quantas almas se feriram


Para tantos, tanto faz...


Esse mundo não é dos que somam


E sim dos que pagam mais




O tempo esquecido

 Foi assim…

de cabeça não me lembro bem

Mais eu sei que tem

O sabor de alguém

Que quero recordar


E o tempo…

Muito esquecido

Sempre corrido

Esqueceu de me avisar


Que aquele amigo

Que outrora real

Encontrou um amor

Por quem se encantou

E de mim se desatou


Outro dia me pediu conselhos

que arrisquei a proferir

Perfeitas palavras

Que me fizeram chorar

Pois com elas eu o perdi


Mas as memórias

Sempre presentes

Ferem a gente 

E teimam em ficar

Pois o tempo

Muito esquecido

E sempre corrido

Esqueceu de levar

quinta-feira, 23 de maio de 2024

Fim marcado

Sonhos cogitados

Nunca realizados


Esperanças sempre em vão 

Não importa onde formos

Nós não chegaremos não 


Caminhada com fim marcado

Previsto e esperado

Pra que ficar andando

Se um dia estarei parado


Para que ficar vivendo

Se a cada dia vou morrendo 

Para que amar você 

Se ao final irei perder


A filha do alquimista

 

O pai dela é um alquimista

Que cria tragédias com a mão

Ela, sua vítima 

Cercada de solidão 


Sua mãe é a pena

Em uma pilha, a espalhar

Como páginas de um livro

Que nunca irão se ordenar


Marcada a ferro e brasa

Ela foi do ouro pro latão

Como quem mata um pássaro

E sua morte é em vão 


Violetas vitrificadas

Caem sobre seu olhar

Fechando suas pálpebras 

Para o cego não enxergar


Sua alma se partiu 

E se fragmentou

Abrindo lhe um caminho

Sobre o seu sangue que derramou


Tem dois lados o tabuleiro

com suas peças em posição 

Ela rola o dado pro xadrez

E perde toda vez













Vício

 Sente fome e sente sede

Teme o dia que irá morrer

Envolta na brisa fina

de um tênue amanhecer


O frio mordaz que gela o corpo

Mantém o barro quente

Em seu sangue ardente

Lembra que permanece viva 

Desvenda as linhas do seu ser

Esculpe a dor oculta

Na voz vibrante de prazer


Atrás das grades da gaiola

Ela esconde suas asas

E julga a jovem ave

Que se mata a voar

Se confunde de que lado

Sua prisão está 


Desconhece a prisioneira 

De liberdade passageira

Que não lhe atrai mais

Enquanto tem um traço 

Um vestígio reluzente 

Da sua alma confiante

Que agora é doente 



Baile de desejos fugazes

 O frágil limiar da vida

Tão frágil que me fez chorar

Do mundo que já foi do amanhã

E que hoje já não pertence a ninguém


Sorrisos se apagam em uma última chama

Já me sinto esvanecida nos braços que me soltam ao vento

E me perdem na noite de festividades cruéis


Festas de caráter dúbios e perspicazes 

Baile de desejos fugazes que se espalham na dor da minha alma faminta

Dor essa que nunca dissipará

Derrama em mim a amargura do seu bel-prazer


Arranque-me a culpa por ser feliz

Guiando-me até o final

Renda as minhas últimas palavras em teu silêncio 

Culmine meu olhar ao entardecer do seu olhar


Zombe mais um pouco de cada pedaço do meu ser

Leve o que nunca foi meu

Abandone em meu corpo o que eu não pedi


Arranque minha dignidade 

E prometa transformar-me em sua imaginação 

Sem consciência, sem amor e sem dor

Torna-me perfeita

Torna-me sua