quinta-feira, 23 de maio de 2024

Vício

 Sente fome e sente sede

Teme o dia que irá morrer

Envolta na brisa fina

de um tênue amanhecer


O frio mordaz que gela o corpo

Mantém o barro quente

Em seu sangue ardente

Lembra que permanece viva 

Desvenda as linhas do seu ser

Esculpe a dor oculta

Na voz vibrante de prazer


Atrás das grades da gaiola

Ela esconde suas asas

E julga a jovem ave

Que se mata a voar

Se confunde de que lado

Sua prisão está 


Desconhece a prisioneira 

De liberdade passageira

Que não lhe atrai mais

Enquanto tem um traço 

Um vestígio reluzente 

Da sua alma confiante

Que agora é doente 



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