quinta-feira, 23 de maio de 2024

A filha do alquimista

 

O pai dela é um alquimista

Que cria tragédias com a mão

Ela, sua vítima 

Cercada de solidão 


Sua mãe é a pena

Em uma pilha, a espalhar

Como páginas de um livro

Que nunca irão se ordenar


Marcada a ferro e brasa

Ela foi do ouro pro latão

Como quem mata um pássaro

E sua morte é em vão 


Violetas vitrificadas

Caem sobre seu olhar

Fechando suas pálpebras 

Para o cego não enxergar


Sua alma se partiu 

E se fragmentou

Abrindo lhe um caminho

Sobre o seu sangue que derramou


Tem dois lados o tabuleiro

com suas peças em posição 

Ela rola o dado pro xadrez

E perde toda vez













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